Estava lendo um blog que gosto muito, e havia um post sobre
futilidade que mexeu comigo.
Não vou entrar no mérito de qual blog, porque como disse é um blog que gosto, de uma pessoa bacana (e não quero fazer publicidade negativa dela nem nada), mas calhou deu não concordar muito com algumas coisas que ela disse, e do post me fazer pensar.
Como opinião é "
aquilo", respeito o modo dela e de outras pessoas pensarem, mas aqui vai a minha (claro, o blog é meu porra! rsrsrs).
Eu sou uma pessoa fútil. Sou sim, e com orgulho.
Isso faz de mim superficial?
O que é ser fútil, afinal? Será que não dá pra ser fútil e um ser humano decente ao mesmo tempo?
Acontece que eu acho que dá.
Ser fútil é ótimo - nos faz leves, com interesses diversos, a respeito de mil coisas. Amplia nossa gama de recursos mentais (sério). Porque a vida não é só feita de trabalho, obrigação, preocupação, problema, contas, assuntos sérios. Ela é feita de pequenas coisas, pequenos momentos, bobices, prazer...
E
comprar é um prazer. Como comer, rir, ver um filme, se embonecar.
Que mal há nisso? A gente precisa se preocupar o tempo todo com o menino na rua, a falta de assistência social, a pobreza, a desigualdade? Uma coisa (uma preocupação, no caso) não anula todas as outras. A gente não precisa ser engajado, preocupado e bonzinho 100% do tempo pra ser bacana. Pra ser digno. Pra ser respeitado.
Isso é coisa de gente metida a politicamente correta. Vc pode
se preocupar sim, e pensar em outras coisas também. Ter outros interesses. Viver de forma leve (olha aí meu lado Polliana de ser, que escondo).
É pecado gastar dinheiro com coisas "não importantes", "não essenciais"? Quem disse que não é importante? E se não for primeira necessidade, não merece consideração?
Eu não fiz voto de pobreza. Parabéns para quem fez. Mas eu não me sinto culpada por gastar meu dinheiro. Nem por 1 segundo, e ninguém vai me obrigar a isso.
Meu dinheiro
é meu - é merecido, é suado. Eu estudei anos para ter uma profissão boa, e ser bem remunerada. Me sacrifiquei, me esforcei. Trabalho de forma pesada a semana toda.
Não caiu no meu colo, e se eu tenho ótimos recursos, faço o que quiser com eles. Até rasgo. E ninguém vai me convencer também de que não mereço usufruir dele. Sem "
miserê", sem ser "
econômica". E nada de culpa.
Gasto mesmo, no que eu quero, no que me dá prazer. Com minha casa, minha filha, meu marido. Me cuido, me amo e me mimo. Me recompenso.
E isso
não invalida poder ajudar os outros também. Se eu ajudo, ninguém precisa ficar sabendo.
Afinal, meu pai sempre disse que
o que a mão direita faz, a esquerda não precisa ficar sabendo. Até porque o simples fato de falar sobre um bem que se faz, sobre uma preocupação social que se tem, tira um pouco da
abnegação do gesto. Conheço um monte de gente assim....que quando ajuda alguém, ou faz caridade, fica se vangloriando.
Aí eu me pergunto: fez pelo outro, ou fez por ela mesma? Pra se sentir bem?
Pra posar de bonzinho, sério, consciente?Então é isso; acho que
CULPA é um mau hábito católico (rsrsrs) arraigado. Acho que tentar ser uma pessoa boazinha todo o tempo é babaquice. E ser caridoso de um lado, e filho-da-puta de outro é um paradoxo hipócrita.
Prefiro mil vezes levantar e trabalhar, do que ajoelhar e rezar.
E se isso faz de mim uma pessoa fútil,
WELL...