terça-feira, 25 de agosto de 2009

NOT BEING A 'DONDOCA'


O ser humano é engraçado. A gente reclama a vida toda de muito trabalho, que está cansada, que não aguenta mais, que tudo que queria era ficar milionária e parar com tudo... mas sente falta.

Há anos a empresa para a qual eu trabalho me envia trabalhos sem trégua. E eu super acostumei (com o ritmo e com a boa grana, pq eu ganho por produção). Mas agora já estou há... sei lá, 2 semanas sem trabalho, aguardando o próximo.

É estranho. No começo foi ótimo - eu descansei muito, li, relaxei e tals. Mas agora ando inquieta.

A primeira preocupação lógica é a falta de grana. Não vai afetar nosso orçamento, ainda bem, mas é estranho não ganhar dinheiro. E não ter compromisso - me sinto meio inútil, sabe?

Daí abriu inscrição para o concurso de Tradução Juramentada, que é dificílimo, não é a minha área, mas eu pensei que já que estava meio sem trabalho, poderia aproveitar e estudar para.

Olha, passei a ter novo respeito por quem estuda para concurso E SÓ. Eu tenho a maior disciplina para trabalhar em casa (o B vive me dizendo que não conseguiria), mas para estudar...

É que estudar não produz RESULTADO imediato e palpável. Vc nem sabe se vai passar ou não. E não ganha dinheiro por isso! Complicadíssimo.

Quem diria! Eu, que achei que seria uma bela duma dondoca, se pudesse, estou feito barata tonta, sem rotina, me sentindo meio "flutuando", meio sem chão. Estranho.

De repente é só uma questão de reajustar o paradigma. Eu vivia dizendo que faria "isso e aquilo" se tivesse mais tempo, de repente é só questão de reacostumar com a nova ordem. Até pq é temporário - o ritmo diminui mas não pára.

Mas me preocupo. Pq qualquer mulher que dependa só do marido financeiramente (por mais amoroso e maravilhoso que ele seja, e por mais estável e sólido que seja o relacionamento), está entrando numa furada. A gente nunca sabe o que pode acontecer. E depender de alguém assim te deixa numa situação meio equilibrista.

Não estou falando de separação não, cruz credo, mas a vida é imprevisível, né? As pessoas tb, sei lá, morrem. A gente tem sempre que pensar nessas coisas, e me desculpe, eu sou uma pessoa bem prática. E tenho medo de ficar sem opções. Ou não poder andar com minhas próprias pernas.

Talvez por ter presenciado tantas amigas e conhecidas passarem por situações complicadas relacionadas a isso: umas na rua da amargura porque o marido "maravilhoso" arrumou outra vida (AKA, outra mulher), e de repente elas ficaram com uma mão na frente e outra atrás. Ou caíram no padrão de vida. Outras porque não conseguem sair de relacionamentos datados, ou vencidos, porque simplesmente não tem para onde ir, não tem o que fazer, não tem vida própria.

É como eu disse: isso me assusta. Não importa o quão "in love" vc esteja, o quão seguro seja. Já vi a vida dar voltas inacreditáveis em quem não esperava.

É bom sempre ter um plano B, é o que eu digo.

Bom, nem é esse meu caso. O caso é que eu ando me sentindo RIDICULAMENTE CULPADA em não estar produzindo. Em não estar super ganhando. Por que que é assim, hein??!!
A gente deveria poder relaxar e aproveitar tb, pôxa!

É injusto. Tenho amigas que tiveram/vão ter bebê, que se sentem culpadas de ficar em casa por um tempo "" cuidando do bebê. Eu lembro que quando eu estava em casa, e a Memée tinha menos de um ano, eu ficava na paranóia de voltar logo a trabalhar. Tudo bem que na época a gente precisava e tals. Mas eu nem CURTI o momento direito, sabe?

Esse negócio de direitos iguais é a maior furada - iguais é o cacete! A mulher conseguiu foi acumular um monte de funções: ainda continua tendo de cuidar de casa (nem que seja pra orquestrar as compras e a empregada) e criar filhos, E AINDA ganhar tanto quanto, ter uma carreira bem sucedida. Complicado, hein?! E foderam tanto com a nossa cabeça, que a gente se SENTE MAL quando não é supermulher e faz tudo igual!

Um paradoxo - acho que as mulheres deveriam ser totalmente independentes , mas ao mesmo tempo gostaria de poder ser dondoca sem culpa, porque sei que mulheres que não trabalham de forma "regular" fazem outras coisas produtivas para a família e para si mesmas. Vai entender.

Talvez fosse mais fácil antes da queima dos sutiãs mesmo...

11 comentários:

Nathalia disse...

Suuuper concordo!

Eu, com meus quase 21 anos, entro em crise só de imaginar que, quando me formar, posso penar pra conseguir um bom emprego. Não tenho "medo" de buscar o que quero e acho até bonito quando as pessoas dizem que lutaram e suaram para conseguir tuuudoo que tÊm. Mas, quer saber? queria tanto que algumas coisas fossem postas em um badeja e entregues a mim.
A minha área, publiciadde/jornalismo, é dita injusta - ok. atualmente, a maioria recebe esse título - e isso assusta um pouco, sabe?
Estou procurando estágio loucamente e NADA! Essa coisa do Q.I. te deixa um pouco pra baixo, por que vc pensa: ei, eu tenho sim uma pessoa da família que trabalhou a vida toooda na coca-cola e, hoje, mora em um triplex na Lagoa. E QUE PORRA VC TEM A VER COM ISSO?

E pior: essa pessoa pensa que só porque vc escolheu esse segmento dentro da comunicação, VC ESTÁ QUERENDO QUE ELA ARRUME UM ESTÁGIO e já vira dizendo: olha,tem de ter um inglês perfeito.VAI TOMAR NO CU!

Um dia, eu chego lá,com meus próprios pés - o que não significa, pra ser sincera, que não aceitaria um estágio na coca-cola,né? aiai - ! confuso...

Aproveitando o assunto inglÊs perfeito, queria te perguntar uma coisinha! rsrs

Uma vez vc disse aqui no blog sobre a iniciativa de ler livros originais, então, queria saber se vc tem algum livro de fácil entendimento pra indicar... To terminando o meu curso de inglÊs e nunca me aventurei a ler originais, e depois do que ouvi e li, acho melhor começar DJÁ! rs

Beijooos

Freda disse...

Concordo muuuuuito. Nem tenho filhos, nem tenho que cuidar da casa, já que graças a Deus ainda moro com meus pais (embora já tenha morado sozinha 6 anos), mas o que mais me tira do sério nem é trabalhar em si, porque amo o que faço, sou jornalista e trabalho na minha área, disso não posso reclamar (só um pouco, porque meu salario é uma piada), mas entao, o que me tira do sério é ter que "picar" cartão. Trabalho 9 horas por dia, 44 horas semanais e ai de mim se não picar o cartão todo dia às 7:30 da madruga. Acaba que me sinto paga não pelo meu trabalho, mas pela quantidade de tempo que passo trabalhando, não faz sentido essa coisa da obrigatoriedade de trabalhar essa carga horaria maluca, mesmo quando você não tem mais o que fazer. Acho que um dia isso vai mudar e teremos mais liberdade nas empresas, mas acredito que isso só vai acontecer daqui uns 30 anos, quando eu já estiver aposentada, rsrsrsr.
Mas mesmo eu te invejando, nem por vc trabalhar em casa, mas por vc não ter que picar cartão, poder fazer seu horario, acordar a hora que quiser, mesmo que for pra depois ter que virar a noite no computador, enfim, daria td pela liberdade q vc tem. Mas nunca estamos satisfeitas e sempre reclamaremos, isso é fato!!!
beijinhosss
Fre
www.vidapassadaalimpo.blogger.com.br

Priscila disse...

Oi. Embora já leia o seu blog há algum tempo esse é meu primeiro comentário. Coincidentemente hoje me indicaram uma entrevista que tem muito a ver com o seu post de hoje. Dê uma olhadinha, acho que vale a pena.
http://www.flickr.com/photos/maria_eugenia/3813938911/

Beijos!

Caroline® disse...

Lutamos por igualdade e, em contrapartida, perdemos outra coisa tão ou mais importante que ela: a liberdade. Liberdade de escolher entre ser uma profissional ou uma dona de casa, de se dedicar à carreira ou a ter e criar filhos, ou de fazer ambos. Hoje estamos presas a um modelo que ajudamos a inventar, da tal mulher moderna, que trabalha fora e dá conta de carreira, marido, filho, gato, cachorro, periquito.... E não temos mais o direito de voltar atrás. Se alguma fêmea hoje disser que não quer trabalhar, quer ser dona de casa (só dá certo se for rica de nascença, pois, como vc disse, ela corre risco dependendo só do marido), o mundo cai em cima dela de críticas. Criamos um monstro....

Renata disse...

Nossa, assunto errado com a pessoa errada...rs! Embora me sinta super privilegiada por poder curtir essa fase do André, carrego uma culpa do tamanho do mundo por não estar produzindo e ganhando o meu dinheiro. Engraçado que mesmo sabendo que é temporário, que eu escolhi assim e tudo mais...a culpa me consome...rsrsrs!
beijos, querida.
*ah, to torcendo pra vcs se animarem meeeesmo...rs

Priscila B. disse...

eh, flor, é uma merda mesmo..sempre tive meu salário e, por mais que meu marido seja um fofo e não reclame, eu me sinto beeem mal agora por não ter conseguido um emprego na área que eu quero ainda..
bjo!

Daniely Novo Kamaroff disse...

SEM COMENTÁRIOS FILÉ...SEM COMENTÁRIOS...E QUE HISTÓRIA É ESSA DE QUE ADMIRA PESSOA QUE ESTUDA "E SÓ!" NÃO ENTENDI...
Bjks

Elise disse...

"Só", entre aspas, filé.
Pra mostrar que não é pouca coisa não... invocadinha! rsrsrsrs

Flá disse...

Ai, ai... É o que eu digo: se os homens tivessem que executar todas as tarefas das mulheres, o mundo já tinha implodido!!! Abaixo a igualdade de direitos! Eu quero sossego (mental)!!!!! Beijos

Daniely Novo Kamaroff disse...

ahahahahahaha, então tá...ahahhahahahaahahah, ESTUDAR É UM SACOOOOOOOOOOOOOOO, por que eu não nasci gênio????
Bjks

Elise disse...

Priscila, muito boa a dica, obrigada!

Meninas, como disse a Caroline - criamos um monstro...
Beijas.